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quinta-feira, 16 de abril de 2015

O inferno

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De formato horizontal, esta pintura é um dos mais raros exemplares do Renascimento português. 
Ao centro vemos o caldeirão, serve idealmente uma abordagem moralizante do inferno, que se traduz no apresentação ao espectador dos castigos inflingidos a uma série de pecadores por conta dos pecados capitais identificáveis. Da esquerda para a direita, e numa sucessão de figurações dinamicamente articuladas e espacializadas, representa-se o Orgulho nas três figuras femininas cujos rostos são queimadas num braseiro, a ser ateado por uma das figuras diabólicas. A Avareza e a Gula representam-se no grupo de figurações seguintes, no segundo plano, distinguindo-se entre si pelo tipo de matéria - moedas ou alimentos - que os dois pecadores, torturados com garrotes, são obrigados a ingerir. O diabo caprino serve o pecado da Gula, através de um odre em forma de porco. No primeiro plano deste grupo representa-se a Ira, protagonizada, no castigo, pelo diabo tapado com panejamento branco. A direita da pintura reserva-se para a Luxúria: o adultério convoca-se através das duas figuras em primeiro plano, feminina e masculina, enlaçadas pelos respectivos braços, emparceirando com a homossexualidade, através do jovem e do frade, no acto de serem acorrentados pelo diabo-pássaro de plumagem exótica. Finalmente, no caldeirão central, castigados no líquido fervente, sofrem os Invejosos. Aqui pode observar-se a presença de frades, um dos quais, em posição frontal, parece interiorizar o sofrimento como forma de expiação do seu pecado. Na boca do inferno, com a mesma forma e dimensão do caldeirão, entram, em posições invertidas, duas figuras femininas.
Um aspecto iconográfico obrigatório na abordagem a esta pintura é o respeitante à figuração do diabo que comanda o Inferno e às notas de exotismo com que é representado.

Inferno, autor desconhecido, c. 1520-30, Museu Nacional de Arte Antiga.

quarta-feira, 12 de novembro de 2014

Alegorias - Comparação Antigo e Novo Testamento

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Rico em detalhes iconográficos, este painel de Hans Holbein resume claramente as diferenças entre o Antigo e o Novo Testamento e a mensagem de cada um.
O tema central deste painel, encorajado pela Reforma Anglicana tem do lado esquerdo o Antigo Testamento e do direito o Novo Testamento. Logo à frente, sentado, o Homem é confrontado entre duas escolhas: à sua esquerda encontra-se o profeta Isaías, cuja frase em latim aos seus pés, "eis que a virgem conceberá e dará à luz um Filho" o indica como um pregador do futuro Messias. Ainda desse lado, vemos no cimo do rochedo Moisés, que recebe das próprias mãos de Deus a lex - lei que o Homem não cumpriu, figurado na presença de Adão e Eva seduzidos pela Serpente que comem o fruto e por isso são expulsos do Paraíso, condenando o Homem à morte e ao pecado, representado pela figura da própria Morte - o esqueleto no sarcófago. Ainda ao fundo, vemos a representação de uma serpente sobre um poste e o povo que se desespera perante ela. Isto remete-nos para a passagem da Bíblia, Números 18:22, acerca da rebelia do povo hebreu, liberto do Egipto que não tinha o que comer nem beber e por isso pecou contra Moisés e contra Deus. Este, enviou como forma de castigo uma série de serpentes que morderam e mataram muita gente. Arrependidos clamaram a Moisés que pedisse a Deus que parasse a maldição, e Deus ordenou-lhe então que colocasse numa haste uma serpente de bronze. Quem fosse mordido e olhasse para ela nao morreria. Contudo, nem a serpente de Moisés foi capaz de salvar o Homem do pecado, Nota-se ainda que o lado esquerdo da árvore se encontra seco e morto, e que o céu está coberto de trevas.
No lado direito, o Novo Testamento, apresenta-nos imediatamente João Baptista que consegue ficar a atenção do Homem para a mensagem que está a pregar: "Eis o cordeiro de Deus que tira o pecado do Mundo". No cimo da colina vemos Maria, que recebe a graça de vir a ser Mãe de Cristo anunciado por um Anjo que, como premonição, traz consigo uma cruz. Maria, pelo seu gesto de aceitação salva a Humanidade do pecado e é vista como a nova Eva. Em cena, ao fundo, vemos também o anuncio aos pastores da vinda do Messias que é entregue como Agnus Dei - o Cordeiro de Deus para remissão dos pecados e, por consequência torna-se no novo Adão. A morte é vencida, pela imagem da ressurreição de Cristo que sai com o estandarte da vitoria do proprio túmulo, e a àrvore que floresce como símbolo de vida eterna.
 
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