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quinta-feira, 5 de janeiro de 2017

Santa Eulália de Mérida...ou de Barcelona?

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Eulália de Mérida é uma santa que apresenta alguma controvérsia, por também se celebrar uma outra com o mesmo nome mas em Barcelona. Ambas espanholas, virgens e mártires sendo a de Mérida celebrada a 10 de Dezembro e a de Barcelona a 12 de Fevereiro. Assim, parece-nos estarmos perante uma duplicação de personagem e não de duas santas distintas. A tradição espanhola pressupõe a existência das duas, mas a grande maioria da crítica nega directamente a historicidade da santa de Barcelona.
Para Eulália de Mérida encontramos um hino no Liber Peristephanon composto em sua honra por Prudêncio, poeta romano que viveu no século IV/IV. Esta é a fonte mais antiga antiga que se conhece que cita Santa Eulália de Mérida. No século VII, e dependente deste hino surge o "Fulget hic honor sepulcri Martyris Eulaliae", em honra de santa de Barcelona atribuido a Quiríco, bispo de Barcelona. Deste mesmo periodo são as duas "Passio" cujas enormes semalhanças foram obviamente inspiradas de uma única fonte. Além do mais não é possível provar-se o a culto uma santa em Barcelona anterior à data da "inventio" das relíquias no ano de 877. É possível depreender que foi o trasladar de uma relíquia da santa emeritense para Barcelona que originou um culto local a uma santa homónima em Barcelona.
Na sua lenda Eulália tinha apenas doze anos quando colheu a palma do martírio. Filha de um senador e cristã, ao tomar conhecimento da proibição Calpurniano dos cristãos manterem o seu culto, pos-se a caminho para o interpelar. Após uma troca de injúrias e acusações a menina foi submetida a uma série de martírios: foi açoitada, as suas carnes desgarradas com ganchos de ferro, torturada no cavalo ( cruz em aspa), o seu tronco e seios foram queimados com brasas ardentes até que finalmente lhe prepararam uma fogueira para que fosse queimada viva.Quando finalmente expirou a sua alma saiu da boca em forma de pomba voando até ao céu. Nesse momento, caiu um forte nevão que protegeu o corpo da santa que foi recolhido no dia seguinte e sepultado no local do martírio.


Bernat Martorell, Martírio de Santa Eulália, cerca de 1442-1445, MNAC - Museu Nacional da Arte da Catalunha, Barcelona.

São Nicolau, aquele que traz os presentes

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Nicolau nasceu na segunda metade do século III em Patana, Lícia, (actual Turquia). Como leigo foi uma pessoa altamente estimada tanto pelo povo como pelo clero e rapidamente foi eleito bispo de Myra, uma pequena cidade costeira em Lícia. Nicolau guiando a sua diocese com grande caridade, dedicação e severa ortodoxia. Ao que parece foi apresentado ao Concílio de Niceia em 325 A.D. e condenou a heresia do arianismo. São Nicolau morreu uns anos mais tarde, a 6 de Dezembro. No início do século VI uma série de lendas foram acrescentadas à sua história por for forma a enriquecê-la. Estas, por sua vez, moldaram imagem e as suas características na arte, onde narrativas da sua vida, não raras vezes, retratam a sua infância e a sua caridade. Uma das mais famosas foi a sua atitude que o levou a oferecer dinheiro para o dote de três irmãs pobre de forma a salvá-las de uma vida de prostituição cujo pai desesperado e na pobreza se encontrava na iminência de as vender. Outras histórias incluem a sua intervenção e milagres após a sua morte. Foi um santo largamente venerado no Norte da Europa, influenciando a criação do actual Pai Natal.
Normalmente está vestido como bispo e usa uma mitra mas também pode aparecer sem qualquer adereço na cabeça. Tipicamente segura um báculo e um livro. 
Atributos: três esferas de ouro, três crianças numa selha, pão, âncora e barco. 
Padroado e proteções: É invocado pelos navegantes, peregrinos, perfumistas, pobres, estudantes e crianças. Uma vez que é protector das crianças tornou-se naquele que lhe traz os presentes no dia da sua festividade. 
Esta foi uma forma de cristianizar os festivais pagãos dedicados ao solstício de Inverno.

Já cheira a Natal... :D

Girolamo Macchietti, A carida de São Nicolau, cerca de 1555-60, Galeria Nacional, Londres.

Cristina de Bolsena - a santa dentro das santas.

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Santa Cristina, conhecida como Santa Cristina de Bolsena ou de Tiro, foi uma virgem e mártir que viveu no século III. Originalmente a santa foi venerada em dois lugares muitos distantes um do outro: Bolsena, em Itália e Tiro actual Líbano. Pensou-se que poderia tratar-se de duas santas distintas que partilhavam o mesmo nome e que viveram no mesmo período (altamente improvável). É também incerto se seria uma santa italiana vinda originalmente do Oriente, ou uma santa oriental venerada muito cedo em Itália. Sabe-se que terá sido martirizada durando o reinado do imperador Diocleciano nos inícios do século IV. A sua lenda surgiu muito tardiamente em relação ao seu martírio, aparecendo baseado nuns escritos do século IX e que sofreu algumas variações. Conta que uma jovem mulher, filha de um comerciante sofreu uma série de terríveis martírios por recusar prestar homenagem aos deuses de Roma. Até aqui nada de novo. Contudo, os eventos da sua vida e martírio parecem ainda reciclar temas de outras virgens mártires como: Santa Bárbara - Cristina seria igualmente bela como Bárbara e por isso o pai aprisionou-a numa torre -, ou Ágata - por um dos seus martírios ter sido o arrancar dos seios - ou ainda Santa Úrsula - pois de acordo com a mesma tradição foi trespassada por uma flecha. Os seus atributos são variados devido aos numerosos martírios: flechas, a roda que também lhe teria sido atada ao pescoço e atirada a um rio, também muito típica, a roda a que foi atada e que se partiu como Santa Catarina. No entanto, o seu atributo mais particular sao as serpentes, que deveriam picá-la e matá-la mas voltaram-se contra o seu algoz.
É portanto muito provável que Santa Cristina tenha nascido da piedade popular e a sua lenda tratada como histórica.
De forma muito curiosa, a sua mais antiga representação data do século VI, onde está figurada na Procissão das Virgens Mártires, na Basílica de Santo Apolinário-o-Novo em Ravena.


Giovanni Francesco "Gianfrancesco", Santa Cristina´(fresco), 1508, Basílica de Santa Cristina, Bolsena.

Iria, a santa "portuguesa" que deu o nome a Santarém

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Hoje é dia, hoje é dia...hoje é dia de Santa Iria! E como santa "portuguesa" quero muito trazer a publicaçao sobre a mesma. (20 de Outubro).
Os santos mártires e altamente lendários são, sem sombra de dúvida os mais fascinantes. Iria não perde em nada os detalhes surreais da sua lenda.
Difícil de comprovar dada a antiguidade do relato, é contado que Iria (ou a variação Irene) nasceu e viveu no século século VII, cerca de ca. 635 - 653, durante a ocupaçao visigótica,na região de Nabância que corresponde actualmente à cidade do Tomar. Filha de pais abastados e influentes, estes terão desejado desde cedo que esta abraçasse vida religiosa dando-lhe para isso uma boa educação e fazendo-a ingressar num mosteiro de beneditinas regido pelo abade Sélio(ou Célio) seu tio materno. Como era muito bela (eu ja não li isto algures?) despertou o amor de um jovem de nome Britaldo. A santa recusou todas as suas propostas explicando-lhe que era uma virgem consagrada a Cristo e por isso o seu casamento nao era possível. Ao contrário do esperado, Britaldo caiu doente e Iria, movida por piedade cristã visitou-o e tentou consolá-lo. Este fez a jovem monja prometer que nunca amaria nenhum homem nem casaria, o que ela de imediato assentiu. Também Frei Remígio, ocupado da orientaçao espiritual da jovem se encantou da sua beleza e se apaixonou e, tal como ele, foi recusado. Cego de e raiva, fez com que Iria bebesse uma tisana, preparada com ervas que deveriam fazer o seu ventre aumentar dando assim a entender os sinais da gravidez. Como já ninguem acreditava na sua virtude foi expulsa do convento e refugiou-se junto ao rio Nabão. Britaldo, ao tomar conhecimento e porque acreditava que a santa havia quebrado a promessa mandou assassiná-la apunhalada no peito e lançada às águas. O seu corpo viajou e parou nas águas do Tejo onde permaneceu até ser descoberto por beneditos perto de Scalabis(actual Santarém). O seu culto foi difundido e até a cidade mudou o seu nome de Scalabis para Santa Iria(Irene) hoje Santarém.
Os seus atributos são escassos tem apenas o hábito beneditino e a palma do martírio e é celebrada a 20 de Outubro.
Esta lenda alicerçou-se sobretudo da tradução oral popular e também do maravilha obra literária de Almeida Garret "Viagens na minha Terra". Não existe qualquer fonte de autor antigo sobre a lenda.

"- Dizei-me pastores que guardais o gado,
Que ermida é aquela que além branquejava.
-É de Santa Iria bem-aventurada,
Que ao pé dum penedo morreu degolada.
- Oh minha Santa Iria, meu amor primeiro,
Perdoa-me a morte, serei teu romeiro!"
(Lenda de Santa Iria Cancioneiro Popular)


Santa Iria, Igreja de Santa Marial do Olival, Tomar, Portugal. Foto da autoria da administradora

Santos Inocentes: os Proto-mártires

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Ainda no seguimento do tema da Fuga e do Regresso do Egipto, trago-vos hoje outra representação ligada aos anteriores: os chamados Santos Inocentes. As crianças de Belém e das áreas circundantes que foram assassinadas por ordem de Herodes, o Grande, foram considerados mártires mesmo não tendo consciência daquilo que se estava a passar. O evangelho de Mateus 2:16 mantém-se como a fonte primária para este relato: Herodes soube pelos magos, que havia chamado à sua presença, que uma estrela brilhante apareceu no céu e que o rei dos judeus havia nascido, como ditava a profecia. A sua intenção, como fizera saber aos magos, não era de prestar homenagem mas sim eliminar o seu rival. Contudo, após visitarem Jesus um anjo apareceu aos Magos indicando-lhes que não voltassem a Jerusalém, o que eles cumpriram. Herodes, percebendo que havia sido enganado e que não teria assim acesso à localizaçao de Jesus, ordenou o Massacre dos Inocentes. Todas as crianças do sexo masculino dos dois anos para baixo seriam assassinadas esperando assim ter a garantia de que Jesus estivesse entre elas (aqui já seu havia iniciado a Fuga). As passagens bíblicas não oferecem nenhum espaço temporal desde o momento da Natividade ate à Epifania. Então porquê a selecção das crianças até aos dois anos de idade? Os apócrifos respondem e arte foi buscar essa informação; Fica subentendido que nos Canónicos os dois momentos são quase simultâneos. Os apócrifos da infância, nomeadamente o de Pseudo-Mateus, conta-nos que a visita dos Magos se dois anos após a Natividade. Dai o fundamento para os meninos até essa idade e não os recém-nascidos.
Considerados os proto-mártires, são representados com a palma. O papa Pio V instituiu uma festa em sua memória, celebrada a 28 de Dezembro na Igreja Ocidental e 29 do mesmo mês na Igreja do Oriente.


Matteo di Giovanni, Massacre dos Inocentes, 1482, Convento de Santo Agostinho, Siena

Santos Vicente, Sabina e Cristeta - três mártires irmãos

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Hoje trago-vos a maravilhosa representação de três santos, cujo martírio foi conjunto.

Vicente, Sabina e Cristeta seriam três irmãos. A tradição da sua lenda fixou-se em Ávila, local onde vieram a conhecer o martírio. Terão chegado a esta cidade por volta do século IV fugindo às perseguiçoes feitas aos cristãos. Ainda que de forma muito controversa são considerados de origem portuguesa, sendo que o que existe de documental refere-os como naturais de Ebura, que poderá ser Évora, mas também Ebura de Carpentania sendo este apontado como o local mais provável. Aparte a sua origem, Vicente foi preso e interrogado, seguindo o rito natural costumado. Foi conduzido ao templo e obrigado a incensar a estátua de Jupiter, que terá recusado. 
A sua lenda conta ainda que, ao entrar no templo o chao debaixo dos seus pés ficou macio como cera ficando impressos os seus pés e o báculo que usava para caminhar. Os sacerdotes, ao presenciarem isto e achando mau augurio mentiram ao pretor dizendo que Vicente havia pedido três dias de reflexão para decidir se rendia homenagem a jupiter ou não. Encarcerado de novo, foi visitado por suas irmãs, Sabina e Cristeta, que lhe suplicaram que fugisse com elas. O santo, ofendido, respondeu que fugir do martírio era covardia, mas deixou-se convencer quando as irmãs lhe disseram que ficariam sós e desamparadas no mundo. Com ajuda dos carcereiros, conseguiram chegar até Ávila onde os homens do pretor os capturaram e fizeram martirizar; foram despidos das suas vestes, arrastados pelos cabelos, colocados no cavalo de tortura para que os seus membros fossem destroçados, perecendo finalmente com os crânios esmagados sob uma laje. Podemos ver ainda na representação dois anjos que segurando um lençol juntos fazem a elevatio animae, a subida da alma dos mártires ao céu onde se pode ver a Dextra, a mão de Deus que parece abençoar o ocorrido.
Era o ano de 306.

Cenotáfio dos irmãos Mártires - detalhe do martírio, século XII, Basílica dos Santos Irmãos Mártires Vicente, Sabina e Cristeta, Ávila.

sexta-feira, 13 de maio de 2016

Wilgefortis, a Santa barbada

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A história que envolve esta alegada virgem e mártir de tão insólita que é chega a causar alguma confusão, sendo resultado da combinação de várias lendas, que o imaginário popular tratou de unir. Primeiro, o próprio nome, Wilgefortis ou Wilgeforte – virgem forte, oferece-lhe um nome que nasceu associado à sua lenda, embora em diversos países recebe um sem número de nomes. Esta santa não raras vezes é associada como sendo santa Liberata, uma das irmãs de Santa Quitéria (a explicar num próximo post), que terá recebido o martírio às mãos do próprio pai. A lenda coloca-a em Portugal. Ou melhor, no território atualmente português, na zona de Braga. Senda a jovem de atraente feição o seu pai, que seria um rei de nome ??? tê-la-á prometido em casamento a um rei da Sicília ao qual Wilgeforte, desesperada, não sabia como fugir, pois não desejava aquele matrimónio. Orou assim a Deus pedindo que a tornasse tão feia e repugnante que homem mais nenhum havia de desejá-la. Como resposta ao seu pedido, cresceu-lhe uma farta e hirsuta barba que lhe deu feições masculinas. O rei, ao conhecê-la achando que zombavam dele por tamanha afronta, pôs fim ao acordo. O pai da santa ao vê-la e podendo explicar aquele insólito feito como obra de feitiçaria, mandou crucificar a própria filha, da mesma forma como havia morrido aquele a quem tanto amor devotava.

Iconograficamente apresenta-se vestida como uma jovem mulher tendo por vezes o arminho aos ombros, de cabelos longos e barbada e estando sempre já crucificada.  
A sua festividade é a 20 de Julho e tem como padroado o poder de desfazer casamentos indesejados, como não poderia deixar de ser. 

Santa Wilgeforte, Livro de Horas usado em Sarum (Salsbury), séculos XV ou XVI.

domingo, 8 de maio de 2016

O martírio de Santa Úrsula e das 11,000 Virgens

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Ontem no blog falávamos sobre a chegada das relíquias de Santa Auta a Lisboa e que esta Santa, tão pouco conhecida, se encontrava conectada a uma outra de enorme impacto na Idade Média quando se terá descoberoa, por volta do século VIII, um cemitério em Colónia com um grande número de ossadas de jovens mulheres a quem imediatamente associaram a Santa Ursula e às suas companheiras. Esta história foi de novo relatada no século X e, mais tarde e com muitas adaptações, recontada na famosa Legenda Áurea (Lenda Dourada) de Jacoppo da Varazze. Ursula seria filha de um rei da Bretanha, cujo nome acarreta algumas dúvidas, e que foi prometida em casamento a um jovem príncipe pagão. Primeiro terá recusado mas, obediente, decidiu aceitar impondo, antes do casamento algumas condições:
1º: O príncipe deveria fornecer onze Damas de Companhia, virgens e de sangue nobre para suas acompanhantes e, para cada uma delas, mil assistentes também elas virgens e todas de condição cristã.
2º: Antes de casar queria, nos três anos que pediu, fazer uma peregrinação aos Lugares Santos e assim poder visitar as relíquias dos mártires. Nesse tempo esperava que Conan desistisse do acordo ou se convertesse. Partiu assim com as suas companheiras parando em Roma, onde foram abençoadas pelo Papa Síriaco que tomou a resolução de as acompanhar. No regresso, passaram por Colónia mas a cidade encontrava-se sitiada pelos hunos que massacrassem as Onze Mil Virgens. Úrsula, que havia sido poupada pela sua beleza por Átila, foi martirizada a flechas por ter recusado casar com este.
A lenda caiu em desuso e Santa Úrsula foi retirada do Calendário Romano Geral por causa da história ser fortemente lendária (mas todas o são :P), mas foi mantida no Martirológio. A basílica onde estaria sepultada consta como sendo do século V mas não específica o número de mártires, confusão que surge já na idade Média quando a lenda de espalha. A abreviação XI. M. V., ou seja "onze virgens martirizadas" teria sido lida como "onze mil" em algarismos romanos, é uma das explicações.
É representada com vestes reais e coroada, entre os seus atributos estão a palma do martírio e as flechas com que foi martirizada. Um estandarte branco com a cruz vermelha como símbolo da vitória e o barco.
É padroeira das jovens, dos estudantes, órfãos e dos arqueiros (Bem como da Inglaterra e de Colónia). 
A sua festa realiza-se a 21 de Outubro



Santa Úrsula e as 11,000 Virgens, Grandes Horas de Ana de Bretanha, Jean Bourdichon, Tours ou Paris, 1503-1508.

sábado, 7 de maio de 2016

Chegada das Relíquias de Santa Auta ao Convento da Madre de Deus

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A pintura que podem observar abaixo representa o momento da chegada das relíquias de Santa Auta ao Convento da Madre de Deus. O que vemos é uma das tábuas pertencentes ao um políptico intitulado de "Retábulo de Santa Auta" de autor desconhecido. Mas quem foi Santa Auta?
Auta seria uma das jovens que estaria no séquito de Santa Úrsula e das Onze mil Virgens, Na verdade na lenda de Santa Úrsula, Auta é referida como filha de Quinciano, rei da Sicília e de St Gerasina, tendo Úrsula por prima. Juntamente com as suas três irmãs, as santas Balbina, Juliana e Vitória, acompanhou a prima na fatal viagem que culminou no massacre das Onze Mil Virgens (a lenda de Santa Ursula e das 11.000 virgens ficarà para um post futuro).
Ora era a Rainha D. Leonor, viúva de D. João II, muitíssimo devota destas santas pelo que solicitou ao imperador Maximiliano I, do Sacro Império Romano-Germânico e primo da rainha, relíquias das mesmas, pois a lenda situa o martírio em Colónia. Este enviou-lhe o corpo de Santa Auta que foi encerrado num cofre de madrepérola e recebeu todas as exéquias a 2 de Setembro de 1517, quando as mesmas deram entrada no Mosteiro da Madre de Deus em Xabregas.
Pelo facto de ser princesa tem, além do seu nimbo, uma coroa e vestes riquíssimas. Tem, a par de Santa Ursula, por atribulo as flechas como instrumento do seu martírio.


Mestre do Retábulo de Santa Auta(desconhecido), Chegada das relíquias de Santa Auta ao Mosteiro de Madre de Deus, 1520-1525, Museu Nacional de Arte Antiga, Lisboa

Santa Apolónia

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De acordo com uma carta de São Dinis, bispo de Alexandria, Egipto, para o bispo Fabiano de Antioquia, Apolónia era uma idosa diaconisa de Alexandria que sofreu o martírio no ano de 249 D.C. Na sua carta, Dinis descreve a perseguição aos cristãos sob o comando do emperador Filipe. Durante um motim os cristãos foram arrastados e mortos depois de verem todos os seus pertences serem levados. Apolónia estaria entre esse grupo de pessoas; A sua mandíbula foi partida e os seus dentes arrancados; mas o seu sofrimento não ficou por aqui: ela foi levado para o centro da cidade e obrigada a proferir blasfémias ou ser queimada viva. A mulher terá pedido um momento para decidir, durante o qual, subitamente, se atirou contras chamas. A sua personagem foi confundida mais tarde com uma outra Apolónia, que morreu em Roma durante as perseguições de Juliano, o Apostata. As imagens da idosa diaconisa rapidamente desapareceram sendo trocadas pelas de uma jovem mulher com tenazes, sugerindo que os seus dentes foram extraídos. O seu culto espalhou-se rapidamente pelo ocidente logo após o seu martírio.
É patrona dos dentistas e é invocada contra as dores de dentes porque a sua mandibula foi quebrada e os dentes extraídos e porque a sua lenda conta que, antes de morrer, prometeu ajudar todos os que sofressem de dores de dentes.


O martírio de Santa Apolónia, Jacob Jordaens,

quinta-feira, 3 de dezembro de 2015

Santa Cecília

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Romana de origem nobre da família dos Metelos, educada como cristã, carregava sempre consigo os livros dos Evangelhos e orava continuamente para preservar a sua virgindade. Estava prometida em casamento a um jovem Valeriano e, apesar dos seus esforços para dissuadir os seus pais, nada os consegiui demover e o casamento concretizou-se. No dia da sua boda, estando a sós como o noivo Cecília revelou ser cristã alegando ainda que um anjo protegia a sua pureza consagrada a Deus. Ao escutar estas palavras o jovem esposo respeitou o seu voto, converteu-se e recebeu o baptimos, juntamente com seu irmão Tibúrcio. Como prémio, um anjo apareceu na câmara onde se encontravam os dois, coroando-os como coroas de rosas e açucenas. Almaquius, prefeito de Roma, tomou conhecimento da conversão dos dois irmãos. Ao serem chamados ao tribunal para abandonarem a nova religião, ter-se-ão recusado o que lhes valeu o martírio. Assim também a esposa de Valeriano foi intimada a comparecer e a prestar homenagem aos deuses de Roma, mas o seu discurso perante os soldados sobre o fé cristã revelou-se tão eloquente que os soldados desistiram. Foi então submetida a uma série de torturas que passaram desde ser trancada no balneário de sua casa para morrer asfixiada pelo vapor até ser colocada numa caldeira de água a ferver, mas de ambos saiu ilesa. Foi então condenada à pena capital: decapitação. O seu carrasco desferiu três golpes sobre o seu pescoço o que não foi suficiente para separar a cabeça do corpo. Como um quarto golpe não era permitido pela lei, Cecília ferida de morte terá agonizado por três dias nas ruas de Roma, tendo dividido os seus bens pelos pobres nesse período de tempo. Ao fim de três dias morreu sendo sepultada nas catacumbas de São Calisto.

Atributos iconográficos: Palma, coroa de rosas, livro, espada e orgão. O orgão generalizou-se como atributo desde o século XVI, desprezando praticamente os restantes. Tem a sua origem na texto latino da sua Passio, obra do séc. VI, que relata que no dia do seu casamento, enquanto soavam os orgãos durante a cerimónia, Cecília cantava no seu interior pedindo a Deus que mantivesse o seu coração e o seu corpo imaculados: "cantatibus organis Caecilia in corde suo soli Domin decantabat dicens: "Fiat cor et corpus meum immaculatum"". Uma tradução errada induziu a pensar que seria ela mesma que tocava o orgão e por isso é considerada padroeira da música sacra e, na qualidade de tal, é padroeira da música e músicos em geral, pelo que pode ser representada com qualquer instrumento.

Festa litúrgica: 22 de Novembro


Michiel Coxcie, Santa Cecília acompanhada por três anjos, 1569, Museu do Prado.

segunda-feira, 7 de setembro de 2015

Missa de São Gregório

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A cena que encontramos mais frequentemente associada a São Gregório é a “Missa de São Gregório”, cuja lenda não seria anterior ao século XIV, pois na Legenda Áurea não é mencionada. No entanto, podemos encontrar uma história semelhante de uma mulher que não acreditava que o pão que ela mesma oferecia ao santo, e que este usava na Eucaristia, fosse o Corpo de Cristo; mas são Gregório orou diante do altar e o pão oferecido pela mulher “havia-se transformado num pedaço de carne do tamanho de um dedo”. Esta história apareceu já representada numa miniatura do séc. XII e coincide com a chegada ao mosteiro de Weingarten de uma relíquia do Sangue de Cristo e com a polémica acerca da presença real ou não de Cristo na hóstia consagrada, assunto que ficará dogmaticamente resolvido até ao IV Concílio de Latrão de 1215 em que se formula o principio da Transubstanciação. Contudo, a lenda que se torna popular no século XV e que se reproduzirá profusamente na arte conta que São Gregório estando em Roma, na basílica da Santa Cruz de Jerusalém, enquanto oficiava a uma Sexta-feira Santa, um dos assistentes terá duvidado da presença de Cristo na hóstia consagrada. Desse modo o papa ajoelhou-se e orou diante do altar e apareceu Jesus rodeado das Arma Christi – os instrumentos da Paixão – evidenciando as suas chagas sangrentas enchendo com a do lado o cálice que estava na mesa. Assim, são Gregório mandou pintar a imagem de Jesus como na sua visão e concedeu indulgências a quem orasse diante dela. Iconograficamente, esta Missa de São Gregório combina a representação do Varão das Dores, a versão ocidentalizada da Imago Pietatis bizantina. Ainda que o tema da Missa de São Gregório como símbolo da defesa do milagre da Transusbtanciaçao tenha desaparecido, a arte postridentina continuou a representar o Papa diante de Jesus mas agora como defensor da existência do Purgatório.

"Missa de São Gregório com Santa Catarina, São Tomás de Aquino e São Vicente Ferrer", Mestre do "Altar Agostinho", cerca de 1490, Nuremberga, Germanisches, Nationalmuseu

domingo, 2 de agosto de 2015

Santa Maria Madalena

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Ela é identificada em várias momentos da vida pública de Cristo com variadas histórias e acontecimentos, arcando com um papel fundamental. É das poucas mulheres a quem o Evangelho refere com nome próprio, e que conheceu uma enorme transformação, pois seria a mulher a quem Cristo expulsou sete demónios, a mesmo que também acompanhou a Virgem a pé no caminho para o Calvário - participando na morte e sepultamento -, quem na manhã da ressurreição se dirige ao túmulo com perfumes e por fim a primeira a quem Cristo aparece. É identificada como sendo igualmente a irmã de Marta e Lázaro, vivendo uma vida dissoluta quando os seus pais morreram. Ao fazer as partilhas, Maria terá ficado com o castelo de Magdala daí o seu nome, até chegar à conversão, no momento alto da sua hagiografia quando lava os pés de Cristo com as suas lágrimas, os perfuma com preciosos perfumes, os enxuga com os seus cabelos - o que era símbolo da devassidão e imoralidade passa a instrumento de redenção. Depois da morte de Jesus e encontrando-se desterrada, retirou-se como eremita para um gruta onde viveu por trinta anos, comendo raízes. Com o tempo as suas roupas gastaram-se e romperam-se, sendo que os cabelo cresceram para a cobrir. Recebia constantemente a visita de anjos, que no dia da sua morte a terão levado a receber o SS, elevando-a depois ao céu.

Atributos iconográficos: O mais antigo e constante é o vaso de perfumes que quase sempre transporta, a longa a farta cabeleira, símbolo típico da mulher cortesã; As vestes amarelas - cor associada à sensualidade estão presentes também nesta imagem e em várias associadas à Santa; a Madalena penitente mostra-se com vestes andrajosas, com crânio na mão ou junto de si - símbolo da fugacidade da vida e um crucifixo junto do qual ora.Na pintura é possível perceber o crescimento dos cabelos para cobrir o seu corpo desnudo

É patrona dos perfumistas, ao qual os produtores de unguentos também reclamaram para si. Por causa do seu seu jarro, também se tornou patrono dos aguadeiros. Claro que não ficaram esquecidos os cabeleireiros e barbeiros e curiosamente dos hortelãos, pois quando Cristo lhe apareceu havia tomado o aspecto de um hortelão.

Maria Madalena penitente, Tintoretto, (Musei Capitolini, Roma, 1598-1602)

Santa Quitéria

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Quitéria terá sido uma de nove irmãs, gémeas, nascidas alegadamente em território actualmente português, no séc. II da nossa era. Filhas do governador da província romana de Bracara Augusta, Lúcio Severo e de sua esposa Cálcia Lúcia. Na noite quem que as nove irmãs nasceram, Lúcio estava ausente acompanhando o imperador Adriano. Achando supersticioso o facto de ter gerado de uma só vez nove crianças, e com medo que o marido a acusasse de traição, chamou Cita, sua criada e mandou que as afogasse no rio Este. Mas esta, cristão em segredo, levou as meninas e entregou-as a Santo Ovídeo, arcebispo de Braga, que as baptizou e lhes deu os seguintes nomes: Quitéria, Eufémia, Germana, Liberata (ou Librada), Vitória, Basília, Marinha, Genebra e Marciana. Criadas por piedosas famílias cristãs, quando adolescentes tomaram conhecimento do seu destino e numas das perseguições aos cristãos foram presas e levadas diante do seu pai. Assim, ele desejou logo que Quitéria casasse com um cortesão de nome Germano que ela terá recusado tendo sido decapitada pelo próprio a 22 de Maio de 135.
Festa litúrgica: 22 de Maio
Iconografia:
Atendendo aos episódios iniciais da sua vida, relacionados com as suas irmãs, Santa Quitéria costuma ser representada juntamente com elas. Na sua representação tem a palma do martírio; representado com um cão na coleira; e com a cabeça nas mãos, que emerge do mar. Na representação de Santa Marinha, a jovem mártir possui como atributos a palma do martírio e a espada, instrumento alusivo à sua decapitação. Por sua vez, a iconografia de Santa Vitória coloca-lhe, na mão direita, a palma e na esquerda uma bandeja, sobre a qual se encontram dois seios. Neste aspecto particular, poderá ter havido alguma confusão iconográfica com sua irmã, Santa Marinha, a qual sofreu, efectivamente, queimaduras no peito causadas por um ferro incandescente.Santa Genebra possui, como atributos, a palma e um cutelo, sem que sejam conhecidos pormenores do seu martírio que justifiquem a representação de tal instrumento. O pouco que se conhece sobre Santa Marciana também não permite esclarecer o facto de se encontrar representada, no Santuário de Felgueiras, com a espada na mão direita, embora se compreenda a figuração do livro na esquerda. Por sua vez, Santa Liberata, devido ao facto de, segundo a tradição, ter sofrido o suplício da cruz, pode estar representada com os braços em cruz, como se estivesse crucificada ou, em alternância, sustentar a cruz numa das mãos, enquanto na outra apresenta a palma do martírio. A espada, como instrumento do martírio de Santa Eufémia, é um dos seus atributos, juntamente com a palma, como sucede com outras das suas irmãs.
Gravura do conjunto das nove irmãs, outrora veneradas no Colégio de São Lourenço, dos Religiosos Agostinhos Descalços do Porto

sexta-feira, 22 de maio de 2015

Maria Madalena confortada por Anjos

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Esta Madalena é representada no exacto momento de sua conversão. Ainda vestida com ricas vestes de cetim, desmaiou em êxtase diante de uma visão do céu na forma de anjos musicais dispostos diante das nuvens à sua volta, enquanto dois anjos ajoelhados ternamente a apoiam. No primeiro plano podem ser vistos os seus atributos habituais: o frasco de óleo com que perfumou os pés de Cristo, um crânio, símbolo maior dos santos penitentes e um flagelo, a que a artista adicionou cuidadosamente os detalhes de sangue seco. Parece certo que Josefa conhecia obras de Francisco de Zurbarán (na verdade várias das suas pinturas foram incluídas nos inventários do seu pai, do tio e da sua irmã) e a sua influência pode ser vista aqui nos toques luminosos de branco e creme, e no tipos faciais e têxteis. 
Fica assim feita a minha homenagem a esta enorme artist portuguesa que tem exposição sobre a sua obra no Museu Nacional de Arte Antiga, neste que é o Dia Internacional dos Museus,

Maria Madalena confortada por Anjos, Josefa de Óbidos, 1679.

quinta-feira, 16 de abril de 2015

Santa Rosa de Lima

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Isabel Flores de Oliva, nasceu em Lima a 20 de Abril de 1586. Aos três meses, a sua mãe, María de Oliva y Herrera, acordou sobressaltada durante a sesta perante os gritos da ama que embalava o seu berço. Ao aproximar-se viu uma rosa nas feições da sua filha e, assombrada pela visão, pegou na menina e disse-lhe: “ Vida minha, enquanto Deus me conceder vida, não hás-de ouvir da minha boca outro nome senão Rosa.” Desta forma, trocou o seu nome por Rosa de Santa Maria, pois uma aparição da Virgem confirmou que devia adoptar o novo nome. A partir deste momento a biografia piedosa de Santa Rosa reproduz os clichés hagiográficos de Santa Clara de Assis e de Santa Catarina de Sena, especialmente da última, a quem Rosa havia tomado por protectora e cuja vida quis imitar. A santa de Sena apareceu-lhe em múltiplas ocasiões, e inclusivé ela mesma lhe terá imposto o hábito da Ordem Terceira de São Domingos quando Rosa tinha 20 anos, em 1606. Também santa Rosa fez, muito cedo, promessa de castidade cortando o cabelo para evitar as tentações da sua beleza; e também recebeu de Jesus o privilégio de fazê-la sua esposa. Das mortificações a que submetia o seu corpo, os seus biógrafos destacam a coroa de espinhas que tinha escondida debaixo da sua touca e que feria a sua fronte e a peculiar maneira que tinha de lutar contra o sono: segurando-se pelo cabelo à parede. Morreu a 24 de Agosto de 1617, com trinta e um anos.

Atributos iconográficos: Coroa de Rosas e espinhos; Menino Jesus nos seus braços ou ao centro de um ramo de rosas. Na América é representada com uma âncora, símbolo da sua protecção sobre Lima, pois atribui-se à sua intervenção a retirada do pirata Georg von Spilbergen do porto de Callao. Também uma palma e, em certas ocasiões, uma maqueta de igreja por ter profetizado a construção de um mosteiro dedicado a Santa Catarina de Sena. 

Santa Rosa veste alba, escapulário e touca brancos e manto negro, cores da Ordem Dominicana. É representada sempre muito jovem, sendo a sua imagem mais característica aquela em que é representada com o Menino Jesus, tanto na cena dos desposórios místicos como de forma mais genérica, aludindo a muitos dos seus encontros em que o Menino aparece enquanto Rosa cose no pátio do convento. Também se tornou frequente representar a sua morte. Neste pintura em particular, vemos São Domingos que apresenta Santa Rosa de Lima a Deus pelas mãos de Maria, acompanhada de seu filho, como fragante flor da ordem dominicana. A santa encontra-se ajoelhada num jardim de rosas, sendo ela considerada a mais a mais perfeita e perfumada, e que São Domingos mostra a Maria e esta por sua vez a apresenta a Deus, através do simbolismo da rosa
(para compreender a simbologia da rosa ver o álbum "simbologia das flores")

Autor desconhecido, século XVIII. Casa de Ejercicios de Santa Rosa, Lima.

quarta-feira, 12 de novembro de 2014

São Martinho

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Hoje é dia de São Martinho, festa do Santo patrono da minha cidade, Penafiel, que fica situada no norte de Portugal. Por isso deixo-vos a imagem do Santo que se venera na igreja Matriz da minha cidade.

São Martinho de Tours, (cerca de 315-394), estabeleceu o primeiro mosteiro francês e é padroeiro da França. Nascido na Panónia, Hungria e educado na Itália, foi baptizado como Cristão, em França, cerca de 339, ainda como oficial romano. Durante uma noite muito fria, em Amiens, ele tirou o seu manto, cortou-a com a sua espada e deu metade da mesma a um pedinte que estava nu. Mais tarde, Cristo apareceu-lhe e ele resignou ao seu posto no exército para viver uma simples vida de ermita, mas foi forçado a aceitar o bispado de Tours depois depois do seu local de esconderijo ter sido denunciado por um ganso que grasnava.

Festa litúrgica: 11 de Novembro

É patrono dos mendigos,alcoolicos e invocado contra a pobreza, mas também de diversas profissões como soldados, alfaiates, produtores de vinho, cavaleiros;

Atributos iconográficos: O mais comum é ser representado como um jovem, sentado a cavalo que divide o seu mando a meio com o mendigo, e por vezes o ganso. Pode também ser representado como bispo, dado que foi bispo de Tours.

São Roque

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São Roque: Uma marca de nascença em forma de cruz, convenceu desde tenra idade São Roque de que ele estava destinado à vida religiosa. Numa peregrinação a Roma, tratou e curou muitas vítimas da peste, até que finalmente ele mesmo também a contraiu. Foi alimentado na floresta pelo seu fiel cão que todos os dias lhe trazia uma carcaça de pão. Recuperado, Roque voltou à sua terra natal mas devido às marcas que a peste havia deixado não foi reconhecido e foi preso pelo seu proprio tio. Morreu mais tarde na sua cela, cheia por uma luz celestial onde, miraculosamente, uma tabuinha apareceu onde se podia ler: " Todos aqueles que estão acometidos pela peste o oram por ajuda através da intercessão de São Roque, serão curados.

Festa litúrgica: 16 de Agosto

É patrono dos cães e dos médicos cirurgiões; é invocado em casos de praga, cólera e doenças infecciosas em geral.

Atributos iconográficos: Regra geral é representado como um jovem, com trajes de peregrino - típicos dos peregrinos de Santiago, com a vieira e o bordão no qual pende a cabaça -, uma das pernas fica desnuda para que possa ser visível os ferimentos da peste. Também é representado o cão ao seu lado e não raras vezes com um pão na boca.

Claude SAINT-PAUL - São Roque e o Anjo

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Saint Roch: A cross-shaped birthmark convinced St. Roch early life that he was destined for a religious life. On a piligrimage to Rome, he tended and cured many victims of plague, and finally contracted himself. He was sustained in the forest by faithful dog, which brought him a loaf of bread daily. Recovering, Roch returned home, but because of his ravages of the plague, he was unrecognaized, and imprisioned as an impostor by his uncle. He died in the cell, which was filled with a heavenly light, were a miraculous tablet was found, reading, "All those who are stricken by the plague and pray for help through the intercession of Roch, the servant of God, shall be healed".

Feast; August 16

Patron: Dogs and physicians; he is also invoked against cholera, plague and infectious diaseases generally.

Iconographic attributes: He appears as a young pilgrim, staff in hand, his thigh bared to reveal the sores of the plague, his faithful dog, sometimes with bread in his mouth at his side.

Claude SAINT-PAUL - Saint Roch and the Angel

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San Rocco: Una voglia a forma di croce convinse il giovane San Rocco di essere destinato per la vita religiosa. Durante un pellegrinaggio a Roma, si prese cura degli ammalati e guarì molte vittime della peste. Infine anch'egli contrasse il morbo. Fu supportato nella foresta dal fedele cane, che gli portava giornalmente una pagnotta di pane. Guarito, Rocco tornò a casa, ma a causa delle cicatrici lasciate dalla peste, non fu riconosciuto e imprigionato come un impostore da suo zio. Morì in cella, investito da una luce paradisiaca, dove fu trovata una tavoletta miracolosa, in cui si poteva leggere: "Tutti coloro che sono stati colpiti dalla peste e pregano per un aiuto tramite l'intercessione di Rocco, il servo di Dio, guariranno".

Festa: 16 Agosto

Patrono: Cani e medici; è anche invocato contro il colera, la peste e in generale le malattie infettive.

Attributi iconografici: egli appare come un giovane pellegrino, bastone in mano, la coscia scoperta per mostrare le piaghe della peste, al suo fianco il fedele cane, talvolta con il pane in bocca. 


Claude SAINT-PAUL - San Rocco e l'Angelo

Iconografia dos Santos - Santa Luzia

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Santa Luzia: Virgem e mártir

História e tradição: Luzia pertencia a uma rica família de Siracusa. Apesar de ser cristã, a sua mãe, Eutiquia, decidiu dá-la em matrimónio a um jovem pagão. No entanto, Luzia havia consagrado a sua virgindade a Deus e rezava para que sua mãe esquecesse e desfizesse o noivado. Por essa altura, Eutiquia adoeceu e por tal razão foi em peregrinação juntamente com Luzia a Catania para orar pela sua cura junto do túmulo de Santa Águeda. Nesse espaço de tempo, Luzia adormeceu e Santa Águeda apareceu-lhe em sonhos dizendo que a mãe ficaria curada e que deveriam distribuir
os bens pelos pobres. Quando acordou, Luzia contou à mãe a revelação que teve e que junto, com os bens, devia doar o dote de casamento, pois havia feito voto de castidade perpétua a Deus. O noivo, ao saber do ocorrido denunciou-a ao prefeito, Pascasio, que ao chamá-la à sua presença lhe ordenou que adorasse os deuses de Roma. Perante a sua recusa mandou que a levassem a prostíbulo para que o seu corpo fosse profanado. Contudo nem os soldados nem as parelhas de bois foram capazes de movê-la do lugar onde estava. Fizeram então uma fogueira em volta do seu corpo, mas as chamas não lhe tocaram e ela saiu ilesa. Como parte do martírio, um dos soldados aproximou-se dela e arrancou-lhe os seus dois olhos e colocou-os num prato que lhe entregou. Conta a lenda que nesse momento os seus olhos foram restituídos por outros ainda mais belos. Por fim morreu decapitada pela espada, no ano de 304.

Festa litúrgica: 13 de Dezembro e é patrona dos oftalmologistas e das doenças da visão.

Atributos iconográficos: Prato com os olhos - atributo pessoal associado ao martírio, a palma que levam todos os santos mártires. Pode ainda ser representada com a espada e a coroa da vitória.

Palma IL Giovane - Santa Lucia
 
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