domingo, 28 de dezembro de 2014

Nossa Senhora do Ó

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Nossa Senhora da Expectação ou Nossa Senhora do Ó, nome popular, recebe este título numa festa comemorativa que se inicia a 18 de Dezembro, a chama Semana do Advento. Devoção Mariana surgida em Toledo por volta do séc. VII, rapidamente o culto popular passou a apelidá-la de Nossa Senhora do Ó. Pode isto dever-se ao facto da forma oval da barriga que Maria apresenta, mas o mais provável é que seja por que em cada um dos sete dias da semana, a Igreja canta no Ofício Divino uma antífona que começa pela exclamação "Ó": Ó Sabedoria...Ó Adonai...Ó Raiz de Jessé...Ó Chave de David...Ó Oriente...Ó Rei das Nações...Ó Emanuel". Este canto é atribuído à Virgem e por isso passou a ser denominada de Nossa Senhora do Ó. Iconograficamente, é representada com o ventre avultado em fase final de gravidez, onde repousa sobre ele a sua mão e a outra se levante em sinal de aceitação da vontade divina. Pode também ser representada com uma mão sobre o ventre e com um livro na outra mão ou junto de uma fonte em referência à Fonte de Vida que ela carrega dentro de si. Com o surgimento do dogma da Imaculada Conceição no séc. XIX grande parte desta imagens desaparecem pois o ventre proeminente na Virgem não condizia com o título. Grande parte desta representações foram enterradas em altares de Igreja para serem de novo postas a descoberto no séc. XX. 

Madonna del Parto, Igreja de São Francisco de Paula, Firenze, Taddeo Gaddi.

segunda-feira, 22 de dezembro de 2014

A Trindade Tricéfala

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Como o próprio nome diz, a Trindade Tricefala refere-se à representação de três cabeças independentes num único corpo. Ao invés dos três rostos iguais, é possível ver também três rostos diferentes (trifacial) mas apenas uma única cabeça para o mesmo tema iconográfico. Neste representação vemos três rostos adjacentes, com quatro olhos, três narizes e três bocas, sendo ambas uma variante da mesma tipologia iconográfica. Pode ser representado de corpo inteiro ou então só o busto. Simbolicamente, tentou-se representar desta forma a igualdade a e identidade perfeita do Pai, do Filho e do Espírito Santo, que são três pessoas numa só. As fontes bíblicas referem na passagem de "Gn 18, 1-22" o episódio da hospitalidade de Abraão, onde o patriarca é visitado por três homens. Contudo, ao longo do texto é possível ver que Abraão se refere às visitas umas vezes como "homens" e outras como "Senhor", sendo ainda possível perceber que se referiu a apenas um deles dessa forma. Este tratamento ambíguo permitiu várias interpretações como de Santo Agostinho que afirmou que "Abraão viu três mas adorou apenas um", o que levou ao desenvolvimento desta iconografia.

quinta-feira, 11 de dezembro de 2014

Nossa Senhora do Leite

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A Virgem do Leite é umas das representações de Maria, nesta amamentando o Menino Jesus. Datado já dos primórdios do cristianismo, quando os Padres da Igreja identificavam o tema da maternidade da virgem Maria com a própria Igreja. Tal como Cristo foi concebido pelo Espírito Santo, o neófito tem acesso a uma nova vida através do baptismo, através de Deus. Maria, como cabeça mística da igreja torna-se ela mãe de todos os cristãos,ou seja, ela converte-se na própria Igreja e, tal como mãe que é amamenta-nos e nos presta os cuidados necessários tal como fez com o seu filho.
Iconograficamente, a Virgem apresenta uma expressão melancólica ou de humildade, podendo estar de pé ou então sentada no trono, apresentando o seu peito ao Menino. Em relação ao espaço é comum aparecer no interior de uma habitação como também ao ar livre e podem estar somente os dois, ou a corte celeste poderá acompanhá-los na representação de anjos músicos. Algumas representações apresentam também João Baptista, ainda criança. O Menino poderá estar vestido ou então somente com um pano a cobrir o seu corpo desnudo. Nas primeiras representações, nas mais antigas, o Menino puxa o peito da Mãe por forma a mamar ainda que Maria oferece embora se represente completamente vestida. Mais tarde, o seio de Maria consegue vislumbrar-se por uma fenda no vestido, até que em representações do séc. XV e XVI a Virgem mostra o peito de forma explícita

Virgem do Leite, Frei Carlos, c. 1525


quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

O Banho de Betsabé

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Nas fontes, o banho de Betsabé ou Betsabé no banho é referido no Antigo Testamento:
- 2 Samuel 11:2-4 "Um dia, após o almoço, David levantou-se depois de ter dormido um pouco, e foi passear no terraço do palácio real. Do terraço avistou uma mulher que se banhava. E notou que era uma mulher muito bonita. David desejou saber quem era aquela mulher. Ao que lhe informaram: “O nome dela é Bat-Shéva, Bate-Seba, filha de Eliah e esposa de Urias, teu servo hitita."

Esta iconografia aparece sempre associada à do rei David, que envia Uriah, o hitita, para a morte. Uma tarde o rei vislumbra da sua janela uma jovem mulher de uma grande beleza, que se banhava. A fim de saber quem ela era, mandou alguém para descobrir ao que lhe disseram que era Bathsheba, a esposa Uriah. Mandou buscá-la, ela veio e deitou-se com ele. Contudo, ela engravidou e foi à presença do rei para o fazer saber; de modo a encobrir o escândalo, David enviou o marido de Betsabé para o campo de batalha, de modo a que este morresse, o que se veio a verificar. Passado o tempo de luto, David casou com ela mas este acto não agradou a Deus, que enviou o profeta Natan de modo a confrontar o soberano. Como castigo Deus haveria de tirar a vida ao filho de ambos que morreu após sete dias do seu nascimento

Betsabé é representada ora nua ora com roupa interior muito delicada, dentro de uma fonte ou de um rio que se encontram num jardim. O rei David observa-a da varanda do seu palácio. Por vezes, tanto o rei como Betsabé aparecem acompanhados por criados, e em alguns exemplos os emissários do David entregam a esta uma missiva. A imagem/iconografia do banho, pode aparecer como parte de um ciclo narrativo da vida do rei ou então de forma independente. O banho de Betsabé é interpretado como uma imagem da Igreja purificada pelo baptismo e salva do demónio, personificada na pessoa de David.

"O banho de Betsabé. Breviário de Leonor de Portugal, 1500-1510, Bruges (Bélgica). Nova York, The Pierpont Morgan Library, Ms. M. 52, fol. 329r.

Ref. bibliográficas: RÉAU, Louis (2000) (1ª ed. 1953-1956): Iconografía del arte cristiano. Iconografía de la Biblia. El Antiguo Testamento. Ediciones del Serbal, Barcelona.

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In the fonts, the bath of Bathsheba or Bathsheba at her Bath is refered in the Old Testament:
- 2 Samuel 11:2-4 "One evening David got up from his bed and walked around on the roof of the palace. From the roof he saw a woman bathing. The woman was very beautiful, 3 and David sent someone to find out about her. The man said, “She is Bathsheba, the daughter of Eliam and the wife of Uriah the Hittite."

This Iconography appears always associated to King David, who sents Uriah, hittite, to death. One afternoon the king sees upon his window a lovely, young and beautiful woman, who was bathing. King David, to discover who she was, sent a servant to find it out. The servant told him that she was Bathsheba, wife of Uriah. The king ordered her presence and he layed down with her. She got pregnant and went to the King to know what to do. David sent Bathsheba husband to the battlefield, so that he would die. After the mourning time David married Bathsheba, which did not please God, Who sent Natan the prophete so that he would confront the King. As a punishment, God would take their son life, who indeed died at the seventh day of birth.

Bathsheba is represented naked or with delicated clothes, in a fontain or in a river inside a garden. King David watches her from the balcony of his palace. Sometimes, the king and Bathsheba appear surrounded by servants, and in other examples the emissaries of David deliver to Bathsheba a letter. The iconography of the Bath may appear as a part of a narrative cycle of King David's life or in an independant cycle.

RÉAU, Louis (2000) (1ª ed. 1953-1956): Iconografía del arte cristiano. Iconografía de la Biblia. El Antiguo Testamento. Ediciones del Serbal, Barcelona.

terça-feira, 25 de novembro de 2014

A Iconostasis

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Nas igrejas do século III do Oriente, templon era uma parede aberta que separava a nave do santuário (bema). Mais tarde, por volta do século IX,imagens da Virgem e de Cristo foram adicionadas entre as suas colunas. No século XIV os ícones começaram a ser organizados em filas, de acordo com estritas regras iconográficas e teológicas. No fundo, directamente acessível ao crente, estão representados ícones de Cristo, da Virgem, do Arcanjo Miguel e do santo patrono da igreja. A segunda fila inclui ícones individuais de formato grande, como São João Baptista, a Virgem e vários santos, numa composição conhecida por Deesis, como intercessores ou também ao lado de Cristo entronizado. O terceiro registo apresenta ícones das doze grande festas litúrgicas Bizantinas. Este ciclo é chamado de Dodekaortom; as iconostasis mais complexas podem incluir, catorze, dezaseis ou até mais festas. Os dois registos superiores são dedicados aos patriarcas e profetas e estão centrados, respectivamente, em ícones da Trindade e da Virgem. A iconostasis é lida na horizontal mas também na vertical, ao longo da simetria axial (desde a Trindade acima até à Anunciação abaixo) criado pelas portas reais

(Falarei das "portas reais" numa próxima)

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The Iconostasis

In third-century churches in the East, the templon was an open wall separating the nave from the sanctuary (bema). Later, around ninth century, images of the Virgin and Christ were added between ist columns. In the fourtheenth century, icons begab to be arranged in tiers, according to strict iconographical and theological rules. At the bottom, directly acessible to the faithful, are icons of Christ, the Virgin, the archangel Michael and the patron saint of the church. The second tier includes large-format individual icons, with Saint John the Baptist, the Virgin, and various saints, in a composition known as the Deesis, as intercessors on either side of the enthroned Christ. The third register features icons of the twelve great Byzantine liturgical feasts. This cycle is called the Dodekaorton; the more complex iconostasis might include fourteen, sixteen, or even more feasts. The two upper registers are devoted to the patriarchs and prophets and are centered, respectively, on icons if the Trinity and of the Virgin. The iconostasis thus is is read horizontally, but also vertically, along the symmetrical axis (from the Trinity above to the Annunciation below) created by the royal doors.

(I will talk about royal doors in a next post)

domingo, 16 de novembro de 2014

As "Condições Louváveis" de Maria

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" Salve, ó cheia de graça, o Senhor está contigo..."

A Anunciação é um dos temas mais importantes e mais representados em termos iconográficos e simbólicos: ele é o ponto de partida para todo o Cristianismo, pois é aqui que é anunciado o nascimento de Cristo. Já no século II, nas catacumbas de Santa Priscila, em Roma, a arte paleocristã se confrontava com este tema: o anjo em pé, diante da Virgem, mão direita levantada como quem fala e Maria que acolhe a palavra sentada numa cadeira com espaldar, afirmando assim a sua superioridade em relação ao anjo.
Neste tema, Maria apresenta cinco "estados louváveis" aquando do momento em que é visitada pelo anjo e que este lhe revela que é a escolhida por Deus para carregar no seu ventre o Messias prometido.

Conturbatio= Inquietação - Na primeira imagem vemos Maria numa posição quase de afastamento, com as palmas das mãos voltadas para fora como que demonstrando o espanto pelas palavras que acabara de ouvir, daí a "perturbação", quase incredulidade e até um certo afastamento.

Cogitatio = Reflexão - Depois do espanto inicial, mas humilde, eis que Maria se questiona. Apesar de ser uma iconografia pouco representada na arte - pois Maria era a Mulher escolhida humilde e submissa - a Mãe de Cristo reflecte sobre a mensagem, como que a interioriza, geralmente com as mãos caídas ou então descansadas sobre a Bíblia onde estaria a meditar quando o anjo se aproximou.

Interrogatio = Interrogação - Neste tipo de iconografia, mostra Maria de lado, com a sua mão direita levantada, em atitude de quem fala e questiona o Anjo sobre as suas palavras, pois se era virgem como poderia conceber? Ela não questionou se o faria ou não, mas somente como isso seria possível.

Humiliatio = Submissão - A palavra humilhação é um pouco forte para ser usada neste contexto mas antes submissão. Submissão, pelo acto de aceitar humildemente a grande responsabilidade e honra que é ser Mãe de Jesus. A iconografia da Anunciação repete muito este estado de "humiliatio" onde Maria se encontra de joelhos no oratório ou reclinada, de mãos cruzadas sobre o peito e de cabeça baixa.

Meritatio = Mérito - O meritatio mostra a alegria interior que Maria demonstra por tr sido a eleita. o Anjo não está mais representado, já partiu, mas no seu ventre encontra-se Deus feito Homem.

ref. bibliográficas - Gianfranco Ravasi, Os rostos de Maria na Bíblia

quarta-feira, 12 de novembro de 2014

São Martinho

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Hoje é dia de São Martinho, festa do Santo patrono da minha cidade, Penafiel, que fica situada no norte de Portugal. Por isso deixo-vos a imagem do Santo que se venera na igreja Matriz da minha cidade.

São Martinho de Tours, (cerca de 315-394), estabeleceu o primeiro mosteiro francês e é padroeiro da França. Nascido na Panónia, Hungria e educado na Itália, foi baptizado como Cristão, em França, cerca de 339, ainda como oficial romano. Durante uma noite muito fria, em Amiens, ele tirou o seu manto, cortou-a com a sua espada e deu metade da mesma a um pedinte que estava nu. Mais tarde, Cristo apareceu-lhe e ele resignou ao seu posto no exército para viver uma simples vida de ermita, mas foi forçado a aceitar o bispado de Tours depois depois do seu local de esconderijo ter sido denunciado por um ganso que grasnava.

Festa litúrgica: 11 de Novembro

É patrono dos mendigos,alcoolicos e invocado contra a pobreza, mas também de diversas profissões como soldados, alfaiates, produtores de vinho, cavaleiros;

Atributos iconográficos: O mais comum é ser representado como um jovem, sentado a cavalo que divide o seu mando a meio com o mendigo, e por vezes o ganso. Pode também ser representado como bispo, dado que foi bispo de Tours.
 
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